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Grupo RBS · 2025

IA como infraestrutura de UX

Como transformei IA em infraestrutura para manter escala, engajamento e qualidade após a redução de 1/3 da equipe.

Período
2025

01Contexto

Em 2025 eu liderava o time de UX da área digital do Grupo RBS, responsável por experiências de produto e growth B2C: conversão, engajamento e retenção. Parte do time estava diretamente conectada ao crescimento da base de assinaturas digitais e às campanhas que sustentavam esse crescimento.

No início daquele ano, o time passou por uma redução de 1/3 da capacidade operacional. As mesmas áreas continuavam dependendo do trabalho de UX para sustentar jornadas de aquisição e retenção. A pergunta era simples: como continuar entregando no mesmo ritmo sem sobrecarregar quem ficou?

02O desafio

O desafio não era apenas continuar entregando. Era continuar entregando com qualidade, consistência e impacto no negócio. As entregas afetadas envolviam otimização de campanhas via e-mail e WhatsApp, estratégia de newsletters e ações de engajamento de assinantes. Tudo precisava manter identidade editorial, tom de voz e desempenho comprovado.

Com um time menor, o risco era claro: ou reduziríamos o volume, ou comprometeríamos a qualidade. Nenhuma das duas opções era aceitável.

03A virada

Os primeiros experimentos com IA não foram animadores. Os textos vinham genéricos, cheios de clichês, desalinhados com a identidade da marca. Em alguns casos, escrever do zero era mais rápido do que revisar o que a IA produzia. Parecia que estávamos adicionando complexidade, não removendo.

Foi aí que percebi que estávamos fazendo a pergunta errada. O problema não era a capacidade da IA. Era o contexto que oferecíamos para ela. A documentação de tom de voz e padrões existia, mas era em grande parte implícita, interpretada intuitivamente pelas pessoas do time. Suficiente para humanos, insuficiente para modelos.

IA escala o operacional. Humanos dirigem estratégia.

Esse princípio também respondia à tensão cultural do momento. Depois das demissões, investir em IA soava, para alguns, como o caminho para novas reduções. Tornar o movimento seguro para o time foi tão importante quanto a parte técnica: a IA passou a representar ampliação de capacidade, não substituição.

Diagrama do modelo operacional: base de conhecimento, agentes de IA, curadoria humana e escala
O novo modelo operacional

04Decisões e tradeoffs

  • Comecei pelo conhecimento, não pela ferramenta. Transformamos documentação em infraestrutura: princípios de tom de voz, padrões do design system, exemplos de mensagens de alta performance, do's & don'ts de linguagem e estruturas narrativas de campanha. A documentação deixou de ser burocracia e virou a condição para escalar qualidade.
  • Criei agentes especializados em vez de um assistente genérico. Agentes de e-mail marketing, WhatsApp, assuntos de newsletter, engajamento, redes sociais do Clube do Assinante e um estrategista para ações promocionais. Cada um com contexto próprio e escopo claro.
  • Defendi um fluxo com humano no centro. IA gera variações, humano seleciona e refina, sistema escala a produção. O copywriter deixou de escrever tudo do zero e passou a atuar como diretor da criação.
  • Aceitei o custo inicial de desacelerar para estruturar. Nas primeiras semanas o processo ficou mais lento, e sustentei essa decisão porque a alternativa era escalar mediocridade.

05Resultado

O impacto mais interessante foi organizacional. O que começou como um momento difícil se transformou em algo próximo de uma promoção coletiva: com a IA assumindo o operacional, as pessoas elevaram o nível da própria contribuição e a maturidade geral do time.

Tela do experimento Bola de Cristal
Bola de Cristal: experiência de engajamento ajustada em tempo real via prompts durante uma ativação com assinantes, usando Figma Make.

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